Quanto desrespeito a gente engole por migalha
No trampo é pressão, reconhecimento falha
Migalha de atenção, migalha de valor
Quem tá lá em cima pisa e chama isso de favor
Eles olham pra nós como peça descartável
Substituível, invisível, manipulável
Enquanto a gente luta pra manter dignidade
Eles lucram com a dor da nossa necessidade
Na viela o crime cresce, vira opção
E atravessa a cidade sem pedir permissão
Patricinha no martini, croissant na mesa
Mas o medo já chegou, não respeita riqueza

Entre polícia e ladrão quem sangra é o civil
Mais um corpo no chão, mais um nome no perfil
Mais uma mãe chorando em frente à televisão
Enquanto o sistema lava as mãos com a situação
Lei que não educa, só empurra pro erro
Escola vazia, sonho virando desterro
Cerveja, fuga, mente anestesiada
Juventude perdida sem direção na estrada
Geração de tela vivendo de aparência
Sem base, sem noção, sem referência
Não sabe o básico, mas quer fama e poder
Quer viralizar sem saber viver

É sempre assim, nada muda, só piora
Quem sofre é o povo que trabalha e chora
Entre o medo, a revolta e a pressão
No final, quem paga é o cidadão

O tempo passa e a impunidade continua
A justiça vendada já não é mais justa, é nua
Prende o trabalhador, solta quem destrói
E o político sorri enquanto o povo se corrói
Dinheiro na cueca, corrupção escancarada
E quem fala a verdade vira ameaça marcada
Opinião virou risco, pensar virou crime
Quem questiona o sistema já entra na mira do regime

É sempre assim, nada muda, só piora
Quem sofre é o povo que trabalha e chora
Entre o medo, a revolta e a pressão
No final, quem paga é o cidadão


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