
João Saudade
Dante Ramon Ledesma
No estilo de estampa, um resto de pampa, farrapo nos trapos
Bombacha já rota, melena revolta, e um jeito de guapo
Chapéu deformado, um lenço rasgado, ainda bandeira
Guaiaca roída, rimando com a vida, do João da Fronteira
Porque, oh João
Deixaste o galpão
E a lida campeira
Pra ser na cidade
Mais um João-saudade
Sem eira, nem beira?
O João da favela, que a vida atrela, a um carro de mão
E João-lá-de-fora, repontando agora, papel, papelão
E assim quem diria, que a sorte um dia, lhe desse este pealo
O João já nem sente, que ontem ginete, e hoje o cavalo
Porque, oh João
Deixaste o galpão
E a lida campeira
Pra ser na cidade
Mais um João-saudade
Sem eira, nem beira?




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