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Sanga, Pitanga... Sabiá

Délcio Tavares

Letra

    Não fales que o som da tua voz me enternece
    E só o que eu não quero agora é ternura
    Enquanto durar esta ausência me esquece
    Que a vida é a vingança que a gente padece
    Ou cura ferindo, ou mata na cura

    Eu hoje só quero sem mágoa nem zanga
    O canto perdido daquele sabiá
    Que em pleno novembro buscava a pitanga
    E um dia sumiu numa curva da sanga
    Fazendo correr o meu choro de piá

    Há tantos invernos carrego um segredo
    Que morro de medo, de angústia, sei lá
    De ver a esperança voar campo afora
    E um dia cansada de tanta demora
    Desaparecer como aquele sabiá

    Por isso não ouse surgir de repente
    Não sejas presente, que ausência é meu chão
    Pois eu sou um daqueles que a vida inclemente
    Maltrata e devora, e depois simplesmente
    Vai ver que era feito de alma e canção

    Composição: Délcio Tavares / Raul Moreau. Essa informação está errada? Nos avise.

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