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O Pajador Perseguido (Destino do Canto)

Demétrio Xavier

Letra

    Eu sou do norte e do sul
    Do campo e do litoral
    E ninguém me leve a mal
    Porque há mil gramas no quilo
    Se me deixam, sou tranquilo
    Se me encilham, sou bagual

    Um cantor deve ser livre
    Pra desenvolver sua ciência
    Sem procurar conveniência
    Ou proteção de padrinhos
    Desses escuros caminhos
    Já tenho a minha experiência

    Os meus cantos, por antigos
    Já chegam a ser eternos
    E até parecem modernos
    Pelo que neles guardamos
    Com o canto nos tapamos
    Para amornar os invernos

    Não canto a nenhum tirano
    Nem por ordem de patrão
    O falso e o espertalhão
    Que se arregrem por seu lado
    Com pajadores comprados
    E cantores de salão

    Pela força de meu canto
    Já fui golpeado muy duro
    E conheço o mundo escuro
    Das cadeias e das celas
    Porque fui jogado nelas
    Como lixo no monturo

    Pode-se matar um homem
    Ou o seu rosto manchar
    Seu violão chamuscar
    Mas, o ideal que ele tenha
    Esse é seca e buena lenha
    E ninguém há de apagar

    Vão os maulas levantando
    Tudo que acham pela frente
    Quais grãos de milho essa gente
    Semeia os piores exemplos
    E botam abaixo o templo
    Do país limpo e decente

    O ouro junta os malevas
    Feito rodeio em fazenda
    Não há vil que não se venda
    Por qualquer sujo tostão
    Mas não faltará a este chão
    Gauchada que o defenda


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