
Navio Negreiro
Dorival Caymmi
Dor e esperança em "Navio Negreiro" de Dorival Caymmi
Em "Navio Negreiro", Dorival Caymmi faz uma abordagem sensível e histórica sobre a escravidão no Brasil. Ao citar diretamente "Luanda", "Cabinda" e "Uganda", ele localiza a origem dos africanos escravizados, dando um rosto e uma geografia ao sofrimento retratado. O refrão “Adeus Terras de Luanda / De Cabinda e de Uganda” destaca a dor da separação forçada, evidenciando o exílio e a perda de suas terras natais, aspectos muitas vezes ignorados nas narrativas sobre a escravidão.
A letra descreve a travessia pelo Atlântico como um momento de sofrimento coletivo, representado pelo “veleiro a rogar” e pelo “negro porão / Triste coro a cantar”. Essas imagens evocam o ambiente opressivo dos navios negreiros e o lamento dos que foram arrancados de suas origens. O pedido “Piedade Senhor / Pelos homens de cor / Que perderam seu lar” traz um apelo por compaixão e respeito, humanizando as vítimas da escravidão. No trecho “E o sol do novo mundo em fim no horizonte / Raiou este sol da liberdade / Que lhe deu felicidade e amor”, Caymmi sugere uma esperança futura, associada à abolição e à busca por liberdade, mas sem esquecer o peso da travessia e da perda. Assim, o mar aparece como símbolo de separação, mas também de possibilidade de renascimento, reafirmando o compromisso do artista com a valorização da cultura afro-brasileira e a memória dos que sofreram com a escravidão.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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