
Retirantes (Vida de Negro)
Dorival Caymmi
Dor e resistência em "Retirantes (Vida de Negro)" de Dorival Caymmi
Em "Retirantes (Vida de Negro)", Dorival Caymmi, em parceria com Jorge Amado, retrata de forma direta a dureza da vida da população negra no Brasil. O verso repetido "Vida de negro é difícil, é difícil como o quê" reforça o peso do sofrimento cotidiano, transmitindo um sentimento de exaustão e resignação diante de uma realidade marcada pela opressão. O uso do termo "lerê" faz referência aos cantos de trabalho e lamentos das senzalas, conectando a canção à memória da escravidão e à cultura afro-brasileira, funcionando como um lamento coletivo e ancestral.
A letra, criada para a peça "Terras do Sem Fim", destaca tanto a violência física quanto a dor emocional vividas pelos negros. No trecho "Eu quero morrer de noite, na tocaia me matar / Eu quero morrer de açoite se tu, negra, me deixar", Caymmi mistura o sofrimento imposto pela escravidão (o "açoite") com a dor da separação amorosa, mostrando como a violência e a perda se entrelaçam na experiência negra. Já em "Meu amor, eu vou-me embora, nessa terra vou morrer / Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou te ver", a música aborda a despedida forçada, comum entre retirantes e escravizados, que frequentemente eram separados de seus entes queridos. Assim, a canção se torna um retrato sóbrio da resistência, do sofrimento e da saudade que marcam a trajetória do povo negro no Brasil.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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