
Fiz uma viagem
Dorival Caymmi
Humor e resiliência baiana em "Fiz uma viagem" de Caymmi
Em "Fiz uma viagem", Dorival Caymmi constrói uma narrativa marcada pela ironia e pelo humor ao retratar a jornada de um personagem do interior baiano. O contraste entre os preparativos grandiosos, como carregar "vinte sacos de feijão" e "trinta sacos de farinha", e a série de infortúnios que o protagonista enfrenta ao chegar ao destino, revela uma abordagem leve diante das adversidades. Elementos típicos do sertão, como o tatu-bola, o facão e a capoeira de galinhas, reforçam a ambientação regional e aproximam o ouvinte do cotidiano simples e criativo do interior da Bahia.
Lançada em 1956, a música também se destaca pelo arranjo inovador de Alexandre Gnattali, que utiliza percussão imitando o som de um relógio e oboé abrasivo para criar uma atmosfera que sugere tanto o ritmo da viagem quanto a passagem do tempo. Esses recursos antecipam experimentações que seriam exploradas posteriormente pelo tropicalismo. Ao transformar perdas e desventuras – doenças, morte dos animais, roubo e deterioração dos mantimentos – em motivo de riso, Caymmi celebra a resiliência e o espírito bem-humorado do povo baiano, mostrando como é possível enfrentar as dificuldades da vida com criatividade e leveza.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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