Angola É Nossa
Duarte Ferreira Pestana
Propaganda colonial e identidade em "Angola É Nossa"
A música "Angola É Nossa", de Duarte Ferreira Pestana, foi criada no início da Guerra Colonial como uma peça de propaganda do Estado português. A repetição do verso "Angola é nossa" não só busca reforçar a unidade nacional, mas também legitimar a presença colonial de Portugal em Angola. O contexto histórico mostra que a canção serviu para mobilizar o sentimento patriótico e justificar a repressão aos movimentos de libertação angolanos.
Trechos como “Ó povo heróico Português / Num esforço estoico outra vez / Tens de lutar, vencer, esmagar / A vil traição” apresentam os insurgentes angolanos como traidores e os portugueses como heróis incumbidos de defender o território. A expressão “carne, é sangue da nossa grei” cria uma ligação quase biológica entre Portugal e Angola, reforçando a ideia de que a colônia era parte inseparável da identidade nacional portuguesa. O chamado à luta, presente em “Sem hesitar, pra defender / É pelejar até vencer”, evidencia o tom combativo e nacionalista típico das campanhas do regime salazarista.
Após a Revolução dos Cravos e a descolonização, "Angola É Nossa" passou a ser vista de forma crítica e até satírica, tornando-se símbolo de uma visão colonialista superada e alvo de ridicularização, como nas charges de Vilhena. Assim, a música permanece como um documento histórico que ilustra tanto o fervor patriótico quanto as contradições do período colonial português.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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