
Luandê
Ederaldo Gentil
Racismo velado e ancestralidade em “Luandê” de Ederaldo Gentil
“Luandê”, de Ederaldo Gentil, aborda de forma direta a presença africana na sociedade baiana e as contradições raciais que persistem até hoje. O verso “na Bahia, todo branco tem um nego na famia” destaca a miscigenação e expõe a hipocrisia de uma elite que tenta negar suas origens negras, mesmo quando essa herança está presente em suas próprias famílias. A menção a “Gegê, Bantu ou nagô” evidencia a diversidade dos povos africanos que formaram a base cultural da Bahia, enquanto a referência a “Luanda” conecta a música à ancestralidade africana, já que Luanda é a capital de Angola, um dos principais pontos de partida dos africanos escravizados trazidos ao Brasil.
A canção também explora temas como liberdade e desejo, especialmente no trecho “Ela já disse que sim / Não precisa de alforria”, sugerindo que relações afetivas entre pessoas de diferentes origens raciais existiam mesmo antes da abolição da escravatura. O trecho “Seu Alvinho e dona Clara / Tem medo de noite virar dia / Vê a sua fia branca / Aumentar mulataria” ironiza o receio das famílias brancas de verem sua linhagem se misturar ainda mais, ao mesmo tempo em que reconhece que essa mistura já faz parte da identidade baiana. O ritmo de ijexá, típico do candomblé, reforça o orgulho das raízes africanas e transforma a música em uma celebração da cultura negra, ao mesmo tempo em que denuncia as tensões raciais ainda presentes na sociedade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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