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O Morro Não Tem Vez/Feio Não É Bonito/Samba Do Carioca/Esse Mundo É Meu/A Felicidade/Samba De Negro/Vou Andar Por Aí / O Sol Nascerá / Diz Que Fui Por Aí / Acender As Velas/A Voz do Morro

Elis Regina

LetraSignificado

    Resistência e esperança no samba de “O Morro Não Tem Vez/Feio Não É Bonito...”

    Na interpretação de “O Morro Não Tem Vez/Feio Não É Bonito/Samba Do Carioca/Esse Mundo É Meu/A Felicidade/Samba De Negro/Vou Andar Por Aí / O Sol Nascerá / Diz Que Fui Por Aí / Acender As Velas/A Voz do Morro”, Elis Regina transforma o samba em um manifesto de resistência e orgulho das comunidades marginalizadas. O trecho “O morro não tem vez / E o que ele fez já foi demais / Mas olhem bem vocês / Quando derem vez ao morro / Toda a cidade vai cantar” denuncia a exclusão social e aponta a esperança de que, ao dar espaço ao morro, toda a sociedade se beneficia de sua cultura e alegria. Composta em um período de grande desigualdade, a canção de Jobim e Vinícius ganha ainda mais força na voz de Elis, que, no álbum “Dois na Bossa”, ajudou a revitalizar o samba e a bossa nova, reafirmando a importância dessas vozes na música brasileira.

    A letra reúne temas como luta, resiliência e busca por felicidade, mesmo diante das adversidades. Versos como “Chora, mas chora rindo, porque é valente e nunca se deixa quebrar” e “A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida” mostram a força do povo do morro em enfrentar a tristeza com coragem e alegria, usando o samba como expressão de resistência. As referências a São Jorge, Xangô e Ogum conectam a religiosidade afro-brasileira à força espiritual dessas comunidades, enquanto “Acender as velas, já é profissão / Quando não tem samba, tem desilusão” revela a rotina de luto e superação, mas também a esperança de dias melhores. A metáfora da felicidade como uma pluma, “brilha tão leve, mas tem a vida breve”, traz um realismo sobre a efemeridade da alegria, sem apagar o tom esperançoso. Ao final, “Eu sou o samba / A voz do morro sou eu mesmo, sim senhor / Quero mostrar ao mundo que tenho valor” reafirma o orgulho e a identidade do samba como símbolo de resistência e pertencimento. Elis Regina, ao interpretar esse pout-pourri, homenageia a tradição e reforça a mensagem de que o samba e o morro são fontes inesgotáveis de cultura, força e esperança para o Brasil.

    Composição: Vinícius de Moraes / Rey Guerra / Carlos Lyra / Antonio Carlos Jobim / Zé Kéti / Gianfresco Guarnieri / Newton Chaves / Cartola / Hortênsio Rocha / Roberto Corrêa / Sérgio Ricardo. Essa informação está errada? Nos avise.

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