
Manifesto
Elis Regina
Ironia política e amorosa em "Manifesto" de Elis Regina
Em "Manifesto", Elis Regina utiliza a ironia para abordar temas políticos e pessoais de forma sutil e inteligente. Logo no início, a letra afirma: “não traz mensagem / E não faz chantagem ou guerra fria”, mas, ao mesmo tempo, emprega termos fortemente ligados ao contexto político, como “guerra fria”, “ideologia”, “direita”, “esquerda” e “censura”. Essa contradição é intencional e reflete o período da Ditadura Militar no Brasil, quando artistas eram censurados e precisavam usar o humor e a ambiguidade para criticar o regime sem serem punidos. O trecho “grande perda / Que eu não sei / Se é da direita ou da esquerda” ironiza a polarização política, mostrando que a repressão e a dor da censura atingiam todos, independentemente do lado.
A música também faz um jogo de duplo sentido ao misturar a linguagem política com a de um relacionamento amoroso. Palavras como “golpe”, “cassado”, “deportado” e “mandato” descrevem o fim de um romance, mas remetem diretamente à repressão política, aos golpes de Estado e à perseguição de opositores durante a ditadura. O verso “Pois eu fui cassado e deportado / Pra bem longe de você” pode ser entendido tanto como o afastamento de um amor quanto como referência à cassação de direitos políticos e ao exílio forçado de artistas e intelectuais. O tom leve e quase debochado, reforçado pelo refrão “laialaiá”, contrasta com a seriedade do tema, tornando a crítica mais acessível e impactante.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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