
Velho Arvoredo
Elis Regina
“Velho Arvoredo”: resiliência, perda e transformação
O “velho arvoredo” condensa a tensão entre resistência e abandono: ainda de pé, mas fora de lugar. A letra transforma perdas em passagem: “tronco mudado em rochedo, pedra transformada em flor”. O eu lírico reconhece o fim de um amor — “eu te esqueci muito cedo” —, vê a ilusão escorrer “de entre os dedos”, sente-se um “arremedo” e traça um limite: “o que passou, passou”. O tempo atua como desgaste e também como foco. Na poeira do caminho — “pó do caminho” — a identidade se recompõe, sem negar as marcas: “o mesmo jamais eu serei”.
Os símbolos tornam essa travessia concreta. “Machado” e “lenhador” falam de corte, utilidade e fim; ao dizer “feito a madeira o machado inclinando”, a voz admite a ameaça, mas sustenta uma resistência que “cicatriza por fora” enquanto “por dentro” dói. No desfecho, quando “não serve ao tempo nem ao lenhador” e o “vento abandonou”, surge a solidão de quem sobreviveu às forças que moldam e consomem, permanecendo, porém, deslocado. Isso se alinha à parceria de Hélio Delmiro e Paulo César Pinheiro, que usam o “velho arvoredo” como metáfora de resiliência e transformação pessoal. O fato de a gravação por Elis Regina ter ocorrido nas sessões de Essa Mulher (1979) e só ter sido resgatada depois, na coletânea póstuma Luz das Estrelas, reforça a ideia de permanência silenciosa e de um sentido que atravessa o tempo.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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