
Romaria
Elis Regina
Fé e identidade rural em “Romaria” de Elis Regina
Em “Romaria”, Elis Regina interpreta uma das canções mais emblemáticas sobre a fé popular e a vida no interior do Brasil. O verso repetido “Sou caipira, Pirapora, Nossa Senhora de Aparecida” destaca tanto a origem rural do personagem quanto sua devoção, remetendo diretamente às tradicionais romarias à Basílica de Aparecida, que inspiraram Renato Teixeira a compor a música. Expressões como “mina escura e funda” e “trem da minha vida” têm duplo sentido: além de retratarem as dificuldades do homem do campo, simbolizam os desafios e incertezas do destino, reforçando o pedido por orientação divina para superá-los.
A letra constrói uma narrativa de simplicidade e resignação, mostrando alguém que, mesmo diante de perdas e frustrações — como a solidão da mãe, os irmãos afastados “à custa de aventuras” e a sensação de fracasso — encontra na fé uma fonte de esperança. O personagem não domina a oração formal (“Como eu não sei rezar, só queria mostrar meu olhar”), mas busca uma conexão sincera e direta com o sagrado, característica marcante da religiosidade popular brasileira. Dessa forma, “Romaria” se consolida como um retrato sensível da vida rural, da fé simples e da busca por sentido diante das adversidades, o que explica seu forte simbolismo e destaque na música brasileira.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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