
Mulata Assanhada (part. Oswaldo Borba)
Elza Soares
Contrastes e polêmicas em “Mulata Assanhada” de Elza Soares
"Mulata Assanhada (part. Oswaldo Borba)", interpretada por Elza Soares, é uma música que mistura humor, leveza e referências que hoje soam controversas. A letra gira em torno da figura da "mulata assanhada", exaltando sua beleza, charme e poder de sedução. O tom descontraído aparece em versos como “passa com graça, fazendo pirraça, fingindo inocente, tirando o sossego da gente”, que reforçam o clima de flerte e admiração típico do samba da época.
No entanto, o trecho “Ai, meu Deus, que bom seria se voltasse a escravidão / Eu comprava essa mulata e prendia no meu coração” traz uma visão romantizada e problemática do passado escravocrata do Brasil. Embora, nos anos 1960, esse tipo de referência fosse mais aceito, hoje é alvo de críticas por naturalizar relações de poder e posse. O duplo sentido do verso – prender a mulata “no coração” – tenta suavizar a ideia de posse, transformando-a em metáfora para o desejo de exclusividade amorosa, mas não elimina o peso histórico da expressão. A menção à “pretoria” (tribunal) no final brinca com a legalização desse desejo, reforçando o tom irreverente da canção.
A interpretação marcante de Elza Soares, aliando samba e elementos de jazz, dá à música uma energia única. Apesar das questões sensíveis, "Mulata Assanhada" permanece como um retrato de seu tempo, misturando humor, desejo e os limites do contexto social da época.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Elza Soares e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: