Exibições da letra 17

Carolina Maria de Jesus

Emerson Dias

Letra

    No verso sou o preto
    Na prosa sou do gueto
    Na pura cadencia que o samba traduz
    É tijuca vencendo preconceitos
    Carolina Maria de Jesus

    O azul do céu coloriu Bitita
    O Sol tingiu capins em dourado
    Jardins perfumavam no interior
    Folguedos e fulgores mineiros
    Andores da fé, mil contos de avô
    Alumiados por candeeiros
    No doce colo de mãe e dinda
    Na pele, um destino traçado
    Brota o café, e Carolina só provou
    O amargor da falsa liberdade
    Retinta feiticeira não quis um senhor
    Pra ser a Maria na cidade

    Garoa concreta, roteiro cinzento
    Girassóis de cimento
    Na fresta, mazelas, é festa na favela
    Reciclando os sentimentos
    Garoa concreta, roteiro cinzento
    Girassóis de cimento
    Jesus e o desprezo, no quarto do despejo
    Poesia com pertencimento

    Palavras são navalhas afiadas
    Ela usava contra os vícios do poder
    Se viu repaginada e negava quem lhe queria
    A serviço da hipocrisia
    Não lhe vestiram fardões
    Mas o seu pretuguês lhe fez escritora imortal
    Verbo da consciência
    Verso calando canhões
    Sem perder a essência
    Exemplo aos corações
    E no alto do morro
    Empunhem caneta e papel

    Meninas e meninos do Borel

    Composição: Kleber Rodrigues, Eduardo Medrado, Rony Silva, Luiz Nascimento, Gabriel Carvalho, Romeu D’Malandro, Dredi. Essa informação está errada? Nos avise.

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