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Humor ácido e crítica social em "Marilú" do Ena Pá 2000

"Marilú", do Ena Pá 2000, se destaca pela combinação de autodepreciação melancólica com um humor escatológico e provocador. O narrador se apresenta como um "pobre desalmado" e "homem muito triste", reforçando sentimentos de abandono e solidão. No entanto, esse tom dramático é rapidamente quebrado por pedidos sexuais explícitos e absurdos, como "Marilú, deixa-me ir-te ao cu". Essa alternância entre o sentimental e o grotesco é uma característica marcante da banda, que usa a irreverência para satirizar tanto o romantismo exagerado quanto os tabus sociais.

O refrão, com a repetição insistente do nome "Marilú", evidencia uma fixação quase caricatural. Versos como "Sou aquele trágico campino / Que cavalga na pradaria / Em cima da sua mula / Que se chama Maria" brincam com imagens rurais portuguesas, misturando o épico ao ridículo. No trecho final, "Com duas letrinhas apenas / Se escreve a palavra cu / Mas são preciso seis / Para eu dizer Marilú", o grupo utiliza humor de duplo sentido e ironia sexual, sugerindo que o desejo pelo corpo de Marilú está ligado ao próprio nome dela. Ao desafiar convenções e tratar temas como solidão, desejo e obsessão de forma escrachada, o Ena Pá 2000 faz uma crítica bem-humorada à seriedade dos sentimentos humanos e à hipocrisia social em torno do sexo.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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