
Conquista do Espelho
Engenheiros do Hawaii
“Conquista do Espelho”: vaidade, culpa e vazio íntimo
Em “Conquista do Espelho”, do Engenheiros do Hawaii, o título é irônico: a “conquista” é admitir a perda de si ao buscar o reflexo do outro. A voz lírica se reconhece cúmplice do próprio esvaziamento. Quando diz “Eu roubei esses versos / como quem rouba pão”, aproxima criação e sobrevivência em um gesto de urgência. Em “contei histórias / inventei vitórias” e “como quem faz justiça / com as próprias mãos”, expõe a ambição performática e os atalhos morais tomados para chamar atenção. O ponto de virada vem com “cheguei em casa / vi que lá morava um ladrão”: a constatação de que o saque é interno, e o preço da validação externa é a própria paz.
Depois, a lente abre para o coletivo. “Censores sem poder de censura” e “sala de torturas” sugerem tanto a violência institucional quanto a censura difusa do cotidiano — um comentário que ecoa o Brasil como “um país em maus lençóis”, onde a promessa de “sem censura” não traz alívio, só insônia. O amargor se fixa em “Nunca mais saiu... a palavra traição” e no compromisso de não elogiar “nenhuma paixão”, sinal de burnout afetivo. O saldo se cristaliza no refrão: “100% de nada não é nada: é muito pouco”. A busca por aparecer, roubar, cortar caminho e vencer deixa ruído e um vazio contabilizado com precisão, como se o espelho devolvesse apenas a fatura da impostura.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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