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exibições de letras 43

o caminhão do Florentino

Ênio Medeiros

Um Femenê cara chata feio de lata e motor
Meio bege furta-cor
Pendendo pra um desbotado
Era assim o mal falado
Caminhão do florentino
Que nunca errava o destino
Chegava sempre atrasado

Até os cusco disparava daquela máquina estranha
Que nos brete da campanha ia engolindo distância
Em tempo de abundância sobrando frete barato
Puxava lenha do mato para venda nas estâncias

Na carcaça algo quebrado o picumã na descarga
São marca de mudança larga
Comendo poeira da estrada
A palanca improvisada
Por quebra galho ou desleixo
Teimoso e duro de queixo
Freiava em dez pedala
A palanca improvisada
Por quebra galho ou desleixo
Teimoso e duro de queixo
Freiava em dez pedaladas

Radiador de goela seca
Bebendo água de sanga
Lerdo igual um boi de canga
Seguia o caminhãozito
Roncando forte e bonito
Batendo biela e bronzina
Quando falhava a buzina
O dono pegava o grito

Radiador de goela seca
Bebendo água de sanga
Lerdo igual um boi de canga
Seguia o caminhãozito
Roncando forte e bonito
Batendo biela e bronzina
Quando falhava a buzina
O dono pegava o grito: Sai da frente rapaz!

Coitado do florentino na lida do dia a dia
Às vezes se dividia mecânico chofer
Era lindo de se ver
Dois parceiros lado a lado
Tanto tempo já rodado
E vendo a vida envelhecer

O florentino coitado na lida do dia a dia
Às vezes se dividia entre mecânico chofer
Era lindo de se ver
Dois parceiros lado a lado
Tanto tempo já rodado
E vendo a vida envelhecer
Botei meia estrada feia
A lida seguia breca
Era seis pneu careca
E um estepe na pior
Rotina de poeira e Sol mapeando a pampa charrua
Dava carona pra Lua e sabia a estrada decor
Rotina de poeira e Sol mapeando a pampa charrua
Dava carona pra Lua e sabia a estrada decor

Radiador de goela seca bebendo água de sanga
Lerdo igual um boi de canga tocava o caminhãozito
Roncando forte e bonito
Batendo biela e bronzina
Quando falhava a buzina
O dono pegava o grito

Radiador de goela seca bebendo água de sanga
Lerdo igual um boi de canga tocava o caminhãozito
Roncando forte e bonito
Batendo biela e bronzina
Quando falhava a buzina
O dono pegava o grito

Radiador de goela seca bebendo água de sanga
Lerdo igual um boi de canga tocava o caminhãozito
Roncando forte e bonito
Batendo biela e bronzina
Quando falhava a buzina
O dono pegava o grito: Sai da frente boca aberta mal!

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Composição: Silvio Genro. Essa informação está errada? Nos avise.
Enviada por Luan. Revisão por João. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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