Cadeiras quebradas

Expresso Verbo

Quanta petulância
Achar saber de tudo
Quanta arrogância
Querer convencer
Se a sua ideia
Faz parte de um assunto
Que nessa conversa
Pode te desenvolver

Mas se você crê que pensa muito
E não quer mais saber
Nesse jogo de cadeiras
É um perigo
Você não quer se mover

Quem não aceita ser aprendiz nunca será professor
Quem não levanta da cadeira como sinal de respeito, escolhe o lado do opressor

E não verá cadeiras livres
Quando quiser descansar
Ou então quando a idade chegar

Aaaa

Uma verdade nunca será absoluta
Se, difusa, sobra pra alguém
Justo é o debate do que inclua
Certas duras pra quem não tem

O peso do outro, que além das duras
Luta pra não convergir
Àqueles cujas certas duras
Continuam a existir

E obrigados
À certeza absoluta
E ainda escutar, e ainda sorrir
A quem a resposta nunca foi sua
A quem não tem resposta pra si

Mas se você crê que pensa muito
E não quer mais saber
Vejo que então temos o perigo
De um ego mimado
Que não quer se mover

E presenteia
Certeza absoluta
Abre seus rumos
Em caixas iguais

Nunca ouviu que é absurdo
Tantas as duras
Em não ser capaz

Vivenciando o que o outro luta
Como se fosse algo anormal
Além de errado, você entende que é sua culpa?
Que seu pensamento é desleal?

Não precisa ser tão firme
Mas nem tão filho da puta
Ao ponto de foder tudo
Se também quer ter paz

Mesmo atrapalhando a via de mão dupla com suas raízes a te apertar
Tropeçam os outros e você ali sofrendo querendo sair, mas sem começar

Eu sinto muito, não quero te culpar
Por você não ter aprendido a ceder
Mas também não vou me afetar
Com o seu jeito de viver
Com seu sentido de estar

A sua cabeça
Não vai pagar a obra
Das certezas de casa
Vazia de assento

Na sua cabeça
Opiniões contrárias
São cadeiras quebradas
Porque não prestam

Vejo você, inquieto, ao fundo
Organizando como se mexer
Sentado em sua cadeira quebrada
Que está prestes a ceder

Quando se trata de cadeiras
Há o cuidado de enxergar
Detalhes servirão de apoio
Ao seu próprio bem estar

Em sua volta, várias palavras
Todos sentados a pautar
Vários rumos do mesmo assunto
Disputando quem vai opinar

O papo não era sobre cadeiras
Mas poderia ser sobre sentar
Porque humanos, todos ali
Na mesma altura, a conversar

E você não quer entender o prumo
Você se mexe sem parar
Não concorda com outros rumos
Xinga a cadeira mas sem se mudar

Culpa a cadeira de ser tão frágil
O fabricante, por ter mal feito
Material, que pagou caro
Sendo enganado, de todo jeito

E ao mesmo tempo, culpa os rumos
Da conversa de mesmo assunto
Não concorda com qualquer movimento

A sua cabeça
Não vai pagar a obra
Das certezas de casa
Vazia de assento

Na sua cabeça
Opiniões contrárias
São cadeiras quebradas
Porque não prestam

Discorda de todos os rumos
Se não assina seus argumentos
Uma certeza que trouxe junto
Com sua cadeira nessa conversa

Você que nasceu sabendo de tudo
Conseguiria se encaixar?
Limitada mente, veio sem assunto
Sem assento, sem prumo e sem saber conversar

Sua cadeira entortando os ossos
Sua coluna começa a doer

Você precisa fazer algo
Pra prevenir a dor do amanhã
Como já sabe que pensa muito
Sabe, então, agora, como fará

Não no sentido de entender tudo
E paciente, tentar se mudar
Pra levantar e corrigir a postura
Que o seu ego pregou em você

Mas se ajeitando pra não cair
O tempo todo pra não se mover
Trocar de cadeira não está nos planos
Porque todo mundo vai ver
Você sofrer

Porque prefere a cadeira quebrada
Do que fazer algo pra si
Algo real e verdadeiro pra que não precise mais
De tanto mimimi

Sem tato, sem fundo
Negando os santos, a sorte, astrais
Concretizando, algaz, um futuro
Ausente de base, fundamento e então
E então

Alternando os trechos de amostras
De si próprio
Pra expor o esmero
É uma das suas condições
Que te excluirá, lotado de vetos
Dos jogos de cadeiras
Do que é certo

Composição: Júlia Mendes Rios de Souza. Essa informação está errada? Nos avise.

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