O pássaro criou seu próprio canto
E o canta geração a geração
Isento à norma de composição
Oferta à natureza o acalanto!

Contrário ao deprê, ao melananto
Floreia a alegria da estação
Solfeja na magia da inspiração
O céu, o tempo, a luz, o rio, o santo

A voz é a expressão mais bucolista
Os cantos são tesouros do artista
Pior que mal-cantar é silenciar-se!

Bradar, berrar, gritar, tudo é louvável!
Na arte do soar tudo é saudável!
Cantai como com Deus dialogasse!

Oh, mágico momento! Leve no vento este cantochão!
Traga na brisa o tempo da inspiração
Oh, mágico momento! Leva no vento esta melodia!
Traga da musa dons e a fantasia

O som que nasce e morre em segundos
Renasce noutra boca cantadeira
Nas cordas da viola beiradeira
No trino dos canários vagamundos

Desperta sentimentos tão profundos
Habita a memória cancioneira
É calma na harmonia da cachoeira
É paz e conversão aos moribundos

Buscando eternamente graça e bravo
Sendo ave, planta, gente, fel ou favo
Vagueiam passarinhos/cantadores

Por nada, tudo, fé, razão, comida
Até de o esquecimento ter guarida
Cantaram, cantas, canto sem pudores!


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