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Letra

Vidas

Vite

Me fascina o mistério das vidasMi affascina il mistero delle vite
que se desenrolam pelo tabuleiroche si dipanano lungo la scacchiera
de dias e ruas, fotos desbotadasdi giorni e strade, foto scolorite
memória de vinte anos ou de uma noite.memoria di vent'anni o di una sera.
E me envolve o eterno gotejarE mi coinvolge l'eterno gocciolare
e o tempo sobre o rosto de um transeuntee il tempo sopra il viso di un passante
e o me perguntar se em seus olhos aparecee il chiedermi se nei suoi occhi appare
o insulto de uma morte ou de um amante,l'insulto di una morte o di un'amante,
a rede misteriosa das relaçõesla rete misteriosa dei rapporti
que amarra com seus fios evanescentesche lega coi suoi fili evanescenti
a eterna roda de razões ou errosla giostra eterna di ragioni o torti
o toque áspero dos momentos,il rintocco scaglioso dei momenti,
o mundo visto com os olhos asfaltadosil mondo visto con gli occhi asfaltati
correndo atrás do balé das horasrincorrendo il balletto delle ore
nós que sabemos onde nascemosnoi che sappiamo dove siamo nati
mas nunca saberemos onde se morre.ma non sapremo mai dove si muore.

Gosto de revirar as memóriasMi piace rovistare nei ricordi
de outras pessoas, invernos ou primaverasdi altre persone, inverni o primavere
para perder ou encontrar conexõesper perdere o trovare dei raccordi
no aparente caos de um ferro-velho:nell'apparente caos di un rigattiere:
quadros para os quais alguém posou,quadri per cui qualcuno è stato in posa,
um telescópio que olhou um ponto,un cannocchiale che ha guardato un punto,
um globo, duas bijuterias, uma rosa,un mappamondo, due bijou, una rosa,
trapos que um dia foram bonitos e agora estão gastos,ciarpame un tempo bello e ora consunto,
pensar quem pode tê-los usado,pensare chi può averli adoperati,
procurar uma resposta para o enigmacercare una risposta alla sciarada
do porquê foram abandonadosdel perché sono stati abbandonati
como um cachorro deixado na rua.come un cane lasciato sulla strada.
Objetos que alguém talvez amouOggetti che qualcuno ha forse amato
agora jazem ali, sem dono,ora giacciono lì, senza un padrone,
sans função, sem história ou estado,senza funzione, senza storia o stato,
nas tramas do acaso ou da razão.nell'intreccio di caso o di ragione.

E minha vida cai em outra vidaE la mia vita cade in altra vita
e eu me sinto apenas um pontoed io mi sento solamente un punto
na reta lisa e infinitalungo la retta lucida e infinita
de um mecanismo imóvel e presumido.di un meccanismo immobile e presunto.
Você é aqueles que vieram antesTu sei quelli che son venuti prima
que em parte você conheceu, e os que virãoche in parte hai conosciuto, e quelli dopo
e que você não conhecerá, como uma rimache non conoscerai, come una rima
vibrante e bela, mas sem propósito.vibrante e bella, però senza scopo.
É inútil procurar uma resposta,E' inutile cercare una risposta,
você sabe que não há e então tentasai che non ce ne sono e allora tenti
uma batida distraída naquela portaun bussare distratto a quella porta
que se fechou apenas para os sentimentos.che si chiuse soltanto ai sentimenti.
Você não saberá e não sabe.Non saprai e non sai.
Essa dor que você peneira entre as malhas de um seu crivoQuesto dolore che vagli fra le magli di un tuo cribro
se dissipa um pouco ao contemplar uma florsvanisce un po' nel contemplare un fiore
se esquece entre as páginas de um livro.si scorda fra le pagine di un libro.

Porque não se vive sem outras vidasPerché non si fa a meno di altre vite
mesmo que roubadas de páginas que você folheiaanche rubate a pagine che sfogli
preguiçosamente, e ambiguamente você as absorveuoziosamente, e ambiguo le hai assorbite
de fantasmas inventados que você despiada fantasmi inventati che tu spogli
vestindo-se neles devagarinhorivestendoti in loro piano piano
como se você se descobrisse em um espelhocome se ti scoprissi in uno specchio
O Homem em Dublin, ou o último MoicanoL'Uomo a Dublino, o l?ultimo Mohicano
que aos 25 se sentia velho.che ai 25 si sentiva vecchio.
E percorremos ruas não mais usadasE percorriamo strade non più usate
imaginando quem um dia passou por aquifigurando chi un giorno ci passava
e espiamos as casas abandonadase scrutiamo le case abbandonate
perguntando que vidas as habitavam,chiedendoci che vite le abitava,
porque a nossa é apenas suficienteperché la nostra è sufficiente appena
misturamos inconscientemente seu sentido;ne mescoliamo inconsciamente il senso;
somos os atores ingênuos de um palco misterioso e imenso.siamo gli attori ingenui di un palcoscenico misterioso e immenso


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