Brites de Almeida

Gaiteiros de Lisboa

Mulher sem rumo, nem rota
Guerreira nas horas vagas
Padeira de Aljubarrota

Nasceu em Faro
De família probrezinha
Mas a fama que ela tinha
Era de ser bicho raro

Ao desamparo
Gostava de andar à briga
Dos homens era inimiga
Varria-os à bordoada
À cabeçada

Era forte como um touro
Tinha um coração de ouro

Quando um soldado
Por ela se apaixonou
Sincero se declarou
Queria ser seu namorado
Apaixonado

Aceitou-lhe as condições
Lutaram como Leões
P'ra ver quem era mais forte

Mas quis a sorte
Ser o mancebo o mais fraco
Ela fez dele um cavaco
E o pobre entregou-se à morte

Brites de Almeida

Mulher sem rumo, nem rota
Guerreira nas horas vagas
Padeira de Aljubarrota

Conta um jogral
Que abalou para Castela
Embarcou num barco à vela
P'ra fugir ao tribunal

Mas sem aviso
Vieram piratas mouros
Levaram gente e tesouros
Foi escrava de improviso

Mas num gesto triunfal
Fugiu para Portugal
Acostou à Ericeira
E caminheira

Partiu sem rumo, nem rota
Foi para em Aljubarrota
Teve oficio de padeira
Mesmo sem querer

Heroína dos enganos
Foi guerreia sem saber
Martírio dos castelhanos
Nuestros Hermanos

Levaram com a pá do forno
E Partiram sem retorno
Da terra dos Lusitanos

Mulher sem rumo, nem rota
Guerreira nas horas vagas
Padeira de Aljubarrota

Composição: Sebastião Antunes, Carlos Guerreiro. Essa informação está errada? Nos avise.

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