
As que dão, dão
Gonorants
Hipocrisia social e liberdade em “As que dão, dão”
A música “As que dão, dão”, da Gonorants, utiliza ironia e sarcasmo para criticar a hipocrisia social em torno da sexualidade feminina. O refrão “as que dizem que não são as que mais dão” expõe diretamente como mulheres que aparentam seguir padrões tradicionais muitas vezes são julgadas de forma contraditória. A letra constrói a imagem de uma jovem considerada "de família", vista como exemplo, mas que leva uma vida secreta, envolvendo-se em festas, encontros e uso de drogas. Esse contraste evidencia a distância entre a expectativa social de pureza e a realidade vivida por muitas mulheres.
O verso “o pai cortou as asas, pra dar rumo em sua vida” destaca o controle familiar e a repressão, sugerindo que essas atitudes podem ser ineficazes ou até gerar o efeito oposto. O tom descontraído da Gonorants aparece em trechos como “Ela não foi pra igreja ela foi se divertir / Tá lá no fim da rua no fusca do amaral / Ela não quer saber de nada, ela só quer saber de Pau”, onde o duplo sentido reforça a crítica à diferença entre discurso e prática. A referência ao uso de drogas em “Na mesa dela tem ponta, eu sei, / Na gaveta tem coisa que ela cheira” amplia a crítica à falsa aparência de perfeição. No final, a música defende a liberdade e a autonomia, afirmando que “cada um faz o que quer” e que “é vivendo que se aprende a ser o que a gente quer”, valorizando a autenticidade e questionando o moralismo.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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