
A Cidade Contra o Crime
Gonzaguinha
Ironia social e violência urbana em “A Cidade Contra o Crime”
Em “A Cidade Contra o Crime”, Gonzaguinha aborda a violência urbana a partir de uma perspectiva irônica e crítica. A inversão de papéis entre vítima e assaltante, evidenciada quando o narrador percebe que “o pivete tremia muito mais que eu tava”, mostra como tanto o criminoso quanto a vítima são reféns do medo e da precariedade. O artista utiliza humor ácido para destacar que a criminalidade faz parte do cotidiano, a ponto de o assaltante ser tão vulnerável quanto quem é assaltado. O trecho em que a arma “era meio que chegada a um cheiro de sabão” e se desfaz facilmente reforça a ideia de que até o crime é resultado da desigualdade e da falta de estrutura social.
A crítica social se aprofunda ao abordar a desconfiança generalizada, tanto em relação à polícia quanto aos criminosos, refletindo o clima de insegurança e paranoia durante a ditadura militar. O verso “ladrão já tem que andar com plaqueta de identificação / A dita anda dura mesmo com a abertura” ironiza a repressão policial e a falsa sensação de liberdade política. A expressão “Jacaré no seco anda”, que motivou a censura da música, funciona como metáfora para a adaptação forçada diante das dificuldades impostas pelo contexto social e político. No final, Gonzaguinha evidencia a exploração do trabalhador e a falta de alternativas, como em “trabalhador tu é otário”, mostrando que a violência é consequência direta da desigualdade e da ausência de perspectivas.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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