A Língua Por Ela Mesma

Grupo Fato

A língua pode tocar o céu
Às vezes tem que lamber o chão
A língua odeia mastigar papel
Mesmo ela tendo que morder o pão

De cada dia, que é dia, de cada língua
De cada dia, que é todo, que todo dia
De cada dia que é dia, seu dia de cada língua

Língua que é língua não corta
Não treme nem se comporta
Bateu na porta tá morta
Não tem por onde passar, a tua língua

Porque a língua não míngua
Minguante, plena e Serena
Sereia do mar da boca
Que salga, adoça e amarga
Amargurado é aquele que não tem língua

E tem a língua graúda
Que nem a da linguaruda
Fofoca é o que ela estuda
Que não é muda e nem muda
A sua vida imunda de linguaruda

A língua usa e abusa
A língua lambe e lambuza
Medusa também tem medo
E os bichos também têm língua

Língua que é preta e comprida
Pode ser curta, molenga, gelatinosa, capenga
Língua de bicho
Língua molhada, gelada, avantajada, sagrada
Que é seca e desengonçada
Língua embolada, enrola quando ela esperta

Língua que é livre é língua de boca aberta
Senta mosquito na língua de boca aberta

Composição: Fábio Tavares, Jana Mundana. Essa informação está errada? Nos avise.

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