Exibições da letra 44
Letra

    Mas quem vem lá neste picaço frente aberta?
    Que bom que seja do rincão do Araçá
    Faz tanto tempo que me fui, perdi a conta
    Talvez me conte como tudo anda por lá

    Mas quem será naquele baio pêlo grosso?
    Que pelo tranco tá com pressa de chegar
    Vem pela estrada grande que vai pra cidade
    Mas pelas garras e o chapéu não é de lá

    Quem vem de lá neste picaço frente aberta?
    Sou eu compadre, quanto tempo, que saudade!
    Pra onde tu vais com a mala cheia e sem cachorro, tchê?
    Juntei uns pilas, vou me embora pra cidade

    E o caro amigo, pra onde vai?
    Volto pro pago que há muito tempo deixei
    Ver se o patrão ainda me aceita lá na estância
    Tô com saudade da potrada que eu domei

    Pois eu tô indo lá pra cidade
    Cansei os braço de puxar queixo de potro
    Aqui no campo não vivo mais
    Trabalho muito só pra encher o bolso dos outros

    Que mal pergunte, por que é que voltas?
    Porque a cidade é coisa braba meu irmão
    Lá pra um campeiro não tem lugar
    A bóia é pouca e sobra muita solidão

    Mas quando fostes partistes com rumo certo
    Tudo acertado para a vida melhorar
    Vendeste o zaino e as duas juntas de boi
    E agora voltas sem mais nada ao Deus dará

    Pois eu troquei meu rancho lindo pela vila
    Deixei meu charque por um pedaço de pão
    Judiei do baio que era flor nas campereadas
    Pra fazer frete, juntar lata e papelão

    Tu que tá indo, pensa bem e troca o rumo
    Banca na rédea o teu picaço e vem comigo
    Não deixa o campo que é teu mundo e tua alma
    Bota tenência nesse conselho de amigo

    Se é tão difícil a vida assim lá na cidade
    Se a realidade é tão cruel e tão mesquinha
    Vou frouxar a boca de volta pro pago
    Se andar ligeiro chegamo de tardezinha

    Pra tomar um mate com cheiro de madrugada
    Alivianar o tostado estrela pras carreira
    Treinar uma senha pra surrar num truco cego
    Pechar boi gordo na saída da mangueira
    Acertar o pulso num tiro de volta e meia
    Frouxar o corpo na bailanta do Bastião
    Abrir o peito numa milonga campeira
    Na humildade, na grandeza de um galpão

    Composição: Fabiano Bacchieri, Everson Mare. Essa informação está errada? Nos avise.

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