
Bocanada
Gustavo Cerati
Silêncio e distanciamento em "Bocanada" de Gustavo Cerati
Em "Bocanada", Gustavo Cerati utiliza a imagem da fumaça como símbolo central para retratar o distanciamento entre duas pessoas. Inspirada em uma cena real, na qual sua esposa fumava em silêncio, a música transforma esse gesto cotidiano em uma metáfora para o esgotamento do diálogo e o fim de um relacionamento. O verso “Cuando no hay más qué decirnos, habla el humo, nada el humo” (Quando não há mais o que dizer, a fumaça fala, a fumaça nada) mostra como, diante do silêncio, gestos automáticos e atmosferas carregadas tomam o lugar das palavras, tornando a fumaça um elo efêmero e intangível entre o casal.
A letra explora a sensação de tempo suspenso e afastamento emocional, como em “Se abren al aire vacíos que dos no pueden respirar” (Se abrem no ar vazios que dois não podem respirar) e “Para desvanecerse, alargando el después, trayectoria sin final” (Para se desfazer, alongando o depois, trajetória sem fim). Cerati, em parceria com Schanton, retrata o momento em que a convivência se transforma em espera e indiferença, com o contato reduzido a olhares distantes que se dissipam. A influência de autores como Borges e Pizarnik aparece nas imagens poéticas e na atmosfera introspectiva, enquanto a sonoridade experimental e o uso de samples reforçam a ideia de transição e reinvenção. "Bocanada" é um retrato sensível do fim de um ciclo afetivo, onde silêncio, fumaça e esquecimento se misturam para expressar a melancolia e a beleza do desapego.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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