
Ela É Bruxa das Almas
Ikaro Ogãn
Ritual, resistência e Maria Mulambo em “Ela É Bruxa das Almas”
“Ela É Bruxa das Almas”, de Ikaro Ogãn, explora a conexão entre rituais das religiões afro-brasileiras e a figura de Maria Mulambo, uma Pombagira associada à marginalidade e à transformação. A letra utiliza elementos típicos de oferendas, como “cruzeiro fechado”, “sete garrafas de marafo”, “galinha preta” e “farofa velha e dendê”, criando um ambiente carregado de simbolismo e respeito às entidades espirituais da Umbanda e Quimbanda. O verso repetido “Ela é bruxa das almas, ela é um Exu / Na boca do lixo é Maria Mulambo” reforça a identificação da personagem central com Maria Mulambo, destacando seu papel nos espaços de exclusão social e sua força acolhedora.
A música constrói uma atmosfera mística ao descrever Maria Mulambo “mexendo num caldeirão, bebendo sangue de gato” e usando objetos como “vassoura de trapo” e “padê”, associados à feitiçaria. Práticas como “amarrou um casal de boneco num farrapo” e “costurou na boca de um sapo” remetem a rituais de amarração e fechamento de caminhos, mostrando o poder de intervenção da entidade. Apesar de ser chamada de “bandida” e atuar nas “bocas do lixo”, a letra destaca a gratidão do narrador, evidenciando o papel protetor de Maria Mulambo para os marginalizados. O título e o contexto sugerem uma homenagem à força feminina e espiritual dessas entidades, celebrando a resistência e a religiosidade popular presentes no panteão afro-brasileiro.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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