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INFÂNCIA

Ita Cunha

Letra

    Na quinta trova dum galo guela de aço
    Fim da madrugada e um novo dia aponta
    Saltando o catre, um gurizito se apronta
    E se disperta em alerta com a cavalhada.

    Garrão rachado, tamanca quebrando a geada
    Aquenta "os pé" no esterco morno das tambeiras
    Café de apojo e leva "os tarro" da mangueira
    Limpa o chiqueiro e já raciona o bicharedo.

    E "folgueando" as tarefas na sombra de uma figueira
    O piá retoça fazendo o que gosta em suas invernadas
    Com gado de osso, sonha em ser moço... Andar nas tropeadas...
    Curar um terneiro... Trompar um matreiro, levando à mangueira!

    No brete de estaca, pialando vaca, na marcação
    Fingindo - paxola - escorar o tirão no tirador
    Sonhando muntar e lhe atacar, fazendo fiador
    O zebu caborteiro que se atira no arame e dispara.

    Caçando lagarto enquanto os "véio" sesteiam
    Bodoque na mão, campeia o bicho escondido
    Quando crescer saberá entender vendo seu filho
    Fazer o que ele faz, na infância de um guri.

    Composição: Emerson Fernandes / Rafael Xavier. Essa informação está errada? Nos avise.

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