
Órfão de Mãe Preta
Jayme Caetano Braun
Relações de afeto e abandono em “Órfão de Mãe Preta”
Em “Órfão de Mãe Preta”, Jayme Caetano Braun narra a história pelo olhar de Venâncio, um homem negro, destacando a inversão dos papéis afetivos entre senhores e escravizados. O verso “Pois é neto da donata / Que foi vossa mãe de cor” evidencia como a família do patrão foi amamentada e cuidada por Donata, uma mulher negra, mas agora seu neto depende da compaixão dos antigos senhores para sobreviver. Essa situação revela a hipocrisia de uma sociedade que se beneficiou do afeto e do trabalho dos escravizados, mas nega a eles e seus descendentes dignidade e apoio.
A linguagem simples e regional aproxima o ouvinte da realidade do campo gaúcho, reforçando a crítica social ao mostrar que, além das necessidades materiais, o menino negro “precisa carinho”. O pedido de Venâncio para que a patroa crie o menino como “paga de um favor” escancara a falta de opções e a vulnerabilidade dos ex-escravizados, que continuam dependendo da boa vontade dos patrões mesmo após gerações de exploração. No final, o apelo para que Deus abençoe e perdoe “aqueles que tudo tendo / Passam a vida, não vendo / Cegados pela luxúria / A miséria e a penúria / Dos que já nascem sofrendo” amplia a crítica, transformando a história em um chamado universal contra a indiferença social e racial. A canção, assim, cumpre um papel de denúncia e conscientização, dando voz aos marginalizados e expondo as feridas históricas do Brasil rural.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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