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Payada do Laçador

Jayme Caetano Braun

LetraSignificado

    Ele veio das potreadas
    Da estância e da tolderia
    Quando o gaucho nascia
    Da barbárie das arreadas
    Tentos de garras trançadas
    E a pericia no manejo
    O indio rude e andejo
    Sobre o lombo do cavalo
    Que tanto botava um pialo
    Assim como dava um beijo

    Em cada tento uma braça
    Dependurado no flanco
    Indio pardo negro e branco
    Que definiram a raça
    Por isso quando passa
    Quer de a cavalo ou de a pé
    Desde os tempos de Sepé
    A legenda o multiplica
    A indiada o identifica
    E as chinas sabem quem é!

    Quando o laço arreboleia
    No rodeio ou na mangueira
    É a própria estirpe campeira
    No serviço ou na peleia
    E na pegada mais feia
    Num mergulho de infinito
    Tudo se para bonito
    E a geometria se alinha
    Sempre que o guaxo afocinha
    Ali no prender do grito!

    Parece que ganha vida
    Na conflência das ruas
    Trazendo as lides charruas
    Para o meio da avenida
    E, na expressão atrevida
    Renascem gritos de farra
    Há rasguidos de guitarra
    De formação gauchesca
    E a tonada barbaresca
    Dos ponteiros da cucharra!

    Anda um quadro na mangueira
    Do tempo atrás removido
    E os ares trazem o ruído
    Na saída da porteira
    Revive a estirpe campeira
    Numa entonação pachola
    E o laço se desenrola
    Soltado num sobrelombo
    Que chega a se ouvir o tombo
    E a cantilena da argola!

    Laço trançado de seis
    De quatro como de oito
    Sempre seguro e afoito
    De acordo com as velhas leis
    No Continente dos Reys
    O Laçador se destapa
    E já faz parte do mapa
    Do passado e do futuro
    No simbolismo mais puro
    Da nossa Terra Farrapa!

    Com a vincha atando as melenas
    Esvoaçando contra o vento
    Resnaces num monumento
    De tirador e chilenas
    Marcando as feições morenas
    Numa figura indelevel
    Não há vendaval que leve
    Não há progresso que apague
    E nem dinheiro que pague
    O que o Rio Grande te deve!

    Tu nos fala Laçador
    Das lutas e pastoreios
    Das tropeadas e rodeios
    No bronze eterno e na cor
    Revivendo o campeador
    Mais duro do que o quebracho
    Nessa pose de índio macho
    Sabendo - de la do alto
    Que se arrancarem esse asfalto
    Aparece grama em baixo!

    Símbolo desta cidade
    Num gesto de boas vindas
    Olhando as linha infindas
    Que abraçam a imensidade
    És aprópria identidade
    Deste Porto dos casais
    Não se extraviarão jamais
    Os xucros que derrubastes
    Nem os pialos que botastes
    Nas munhecas dos baguais!


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