
Gênesis (Parto)
João Bosco
Religiosidade e brasilidade em “Gênesis (Parto)” de João Bosco
“Gênesis (Parto)”, de João Bosco, destaca-se por unir referências do nascimento de Jesus a elementos das religiões afro-brasileiras, criando uma narrativa de origem marcada por adversidade e celebração da diversidade cultural. O verso “tinha uma vaca, um burro e um louco” faz alusão ao presépio cristão, mas a inclusão do “louco” e a menção a “Seu Sete” (entidade das religiões afro-brasileiras) já apontam para a fusão de universos simbólicos. Ao trocar “incenso e mira” por “barro”, a letra reforça a ideia de humildade e raízes populares, substituindo os presentes nobres dos Reis Magos por um material simples, típico das origens do povo brasileiro.
A música também utiliza expressões populares para retratar as dificuldades do nascimento: “chovia canivete” indica um ambiente hostil, enquanto “cordão cortado com gilete” sugere um parto difícil e improvisado. A presença de Exu e Oxum, entidades do candomblé e umbanda, mostra que, apesar da violência e do perigo (“meteram faca, ergueram ferro”), há proteção espiritual e promessa de um destino especial (“Aí Exu falou: Ninguém se mete!” e “Aí Oxum falou: Esse promete!”). O tom bem-humorado aparece quando, mesmo em meio ao caos, alguém “puxou samba” e “tomaram cana”, mostrando que a celebração e a resistência fazem parte da trajetória desde o início. Assim, “Gênesis (Parto)” transforma o nascimento em um rito de passagem coletivo, misturando sagrado e profano, sofrimento e festa, para contar a saga de quem nasce no Brasil.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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