
Tiro de Misericórdia 2
João Bosco
Violência e ancestralidade em "Tiro de Misericórdia 2"
Em "Tiro de Misericórdia 2", João Bosco utiliza o conceito de "corpo fechado" para simbolizar a proteção espiritual do menino protagonista, amparado pelas entidades do candomblé. Essa proteção não é apenas religiosa, mas também representa a resistência cultural e social diante da violência das favelas cariocas. O garoto, criado em meio à criminalidade e à pobreza, é retratado como uma figura quase lendária, chamado de "imperador dos morros" e "reizinho nagô". As referências diretas a orixás como Oxóssi, Ogum e Iemanjá reforçam a ideia de que sua força e sobrevivência vêm de uma ancestralidade afro-brasileira, que o sustenta diante das adversidades.
A letra apresenta um retrato realista e duro do cotidiano do menino, evidenciado em versos como "cresceu entre a ronda e a cana / Correndo nos becos que nem ratazana". Não há romantização: a violência é constante e o destino trágico parece inevitável, como mostra o trecho "Grampearam o menino do corpo fechado / E barbarizaram com mais de cem tiros". No final, ao citar nomes como Ganga Zumba, Lumumba, Lorca e Jesus, Bosco conecta a morte do menino a uma tradição de mártires históricos, sugerindo que sua trajetória faz parte de uma luta maior por resistência e justiça. O verso "Treze anos de vida sem misericórdia / E a misericórdia no último tiro" resume a ironia do título, denunciando a falta de compaixão social e mostrando o "tiro de misericórdia" como símbolo do fracasso coletivo em proteger os mais vulneráveis.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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