Exibições da letra 125

Nação / Aquarela do Brasil / O Mestre Sala Dos Mares (Montreaux 1983)

João Bosco

LetraSignificado

    Dorival Caymmi falou pra Oxum
    Com Silas tô em boa companhia
    O céu abraça a terra
    Deságua o rio na Bahia

    Dorival Caymmi falou pra Oxum
    Com Silas tô em boa companhia
    O céu abraça a terra
    Deságua o rio na Bahia

    Brasil, ô ô
    Brasil, ô ô

    Jeje, minha sede é dos rios
    A minha cor é o arco-íris
    Minha fome é tanta
    Planta flor, irmã da bandeira
    A minha sina é verde-amarela
    Feito a bananeira

    Ouro cobre o espelho esmeralda
    No berço-esplêndido a floresta em calda
    Manjedoura d'alma
    Labarágua, sete quedas em chama
    Cobra de ferro, Oxumaré
    Homem e mulher na cama

    Brasil, ô ô

    Jêje, tuas asas de pomba
    Presas nas costas com mel e dendê
    Aguentam por um fio
    Sofrem o bafio da fera
    O bombardeiro de Caramuru
    A sanha da Anhanguera

    Jêje, tua boca do lixo
    Escarra o sangue de outra hemoptise
    No canal do mangue
    O uirapuru das cinzas chama
    Rebenta a louça, Oxumaré
    Dança em teu mar de lama

    Dorival Caymmi falou pra Oxum
    Com Silas tô em boa companhia
    O céu abraça a terra
    Deságua o rio na Bahia

    Dorival Caymmi falou pra Oxum
    Com Silas tô em boa companhia
    O céu abraça a terra
    Deságua o rio na Bahia

    Brasil, meu Brasil brasileiro

    Ah! Abre a cortina do passado
    Tira a mãe preta do cerrado
    Bota o rei congo no congado

    Cantar de novo o trovador
    À merencória luz da Lua
    Toda canção do seu amor
    Quero ver essa Dona caminhando
    Pelos salões, arrastando
    O seu vestido rendado

    Esse coqueiro que dá coco
    Aonde eu amarro a minha rede
    Nas noites claras de luar

    Oi, essas fontes murmurantes
    Onde eu mato a minha sede
    Onde a Lua vem brincar

    Esse Brasil lindo e trigueiro
    É o meu Brasil brasileiro
    Terra de samba e pandeiro

    Brasil, terra boa e gostosa
    Da morena sestrosa
    De me olhar indiferente

    O Brasil, samba que dá
    Para o mundo se admirar
    O Brasil do meu amor
    Terra de Nosso Senhor

    Brasil, terra de Nosso Senhor
    Brasil, terra de nosso amor

    Há muito tempo nas águas da Guanabara
    O dragão do mar reapareceu
    Na figura de um bravo feiticeiro
    A quem a história não esqueceu

    Conhecido como navegante negro
    Tinha dignidade de um mestre sala
    E ao acenar pelo mar da alegria das regatas
    Foi saudado no porto, pelas mocinhas francesas
    Jovens polacas e por batalhões de mulatas

    Rubras cascatas jorravam das costas
    Dos santos entre cantos e chibatas
    Inundando o coração do pessoal do porão
    Que a exemplo do feiticeiro gritava (o quê, gente?)

    Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
    Glória à farofa, à cachaça, às baleias
    Glória a todas as lutas inglórias
    Que através da nossa história
    Não esquecemos jamais

    Salve o navegante negro
    Que tem por monumento
    As pedras pisadas do cais

    Mas, Salve!
    Salve o navegante negro
    Que tem por monumento
    As pedras pisadas do cais

    Mas faz
    (Muito tempo)

    Composição: Ary Barroso, João Bosco, Aldir Blanc, Paulo Emilio. Essa informação está errada? Nos avise.

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