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O Último Faia

João Braga

Letra

    Da casa da Mariquinhas ao café
    Ao Café das Camareiras, provocante
    De viela em viela, mestre Alfredo
    Vai em busca da Menina do Mirante

    Encostado ao balcão de uma taberna
    Numa pausa do caminho ele encontrou
    O pintor, velho pintor que um dia terna
    Ternamente, o seu fado desenhou

    Sem arvorar um ar gingão ou fadistão
    Mas como um real fadista que se assume
    Para o velho pintor cantou então
    Até quase de manhã, sem um queixume

    Foi num cabaré de feira, ruidoso
    Na viela um novo dia despontava
    E ao escutá-lo o velho pintor pintava
    Uma tela apenas digna do Malhoa

    Amor é água que corre, tudo passa
    E a Menina do Mirante enfim passou
    Pois por vezes a taberna tem mais graça
    Tem mais vida, mesmo quando tem mais dor

    À mercê do vento brando bailam rosas
    Em quimérico vergel, descolorido
    É mais um dia que morre, mas que importa?
    Batem as oito na Sé, de um fado antigo

    Composição: Alfredo Marceneiro / António Tavares Teles. Essa informação está errada? Nos avise.

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