
Lugar comum
João Donato
“Lugar comum”: ciclo, natureza e origem compartilhada
O título “Lugar comum” explora dois sentidos: o do banal e o do lugar partilhado de origem. A história da melodia, inspirada no assobio de um canoeiro no Rio Acre (“Índio Perdido”), ilumina por que a letra elege a “beira do mar” como ponto de partida e de retorno — um limiar entre caminho e casa. O eixo é o ciclo e a unidade: “Beira do mar, todo mar é um” junta águas e destinos, enquanto o movimento “Começo do caminhar / pra dentro do fundo azul” propõe um deslocamento externo e um mergulho interior. Quando entram os elementos — água, vento, “o fogo do Sol” e “o sal do senhor” — tudo converge para a ideia de fluxo: “tudo isso vem, tudo isso vai / pro mesmo lugar / de onde tudo sai”, um gesto de aceitação do vai e vem da vida.
A parceria com Gilberto Gil, no álbum homônimo de 1975, combina a simplicidade melódica de João Donato com imagens de natureza, viagem e pertencimento. “Lugar comum” pode ser o ordinário, mas também um “lugar em comum”: a margem onde todos compartilham a mesma origem, daí o verso “todo mar é um”. Há ainda o duplo sentido de “o sal do senhor”: a força divina que tempera o mundo ou o próprio mar personificado como “senhor” das marés. Em ambos os casos, prevalece a ideia do ciclo que retorna à nascente. Essa clareza essencial ajuda a explicar a permanência da canção e suas releituras, como a versão acústica de 2024 de Leila Pinheiro e Ricardo Bacelar, que preserva o clima contemplativo de quem se deixa levar pela maré.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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