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Na Buton de Roseirinha

Jorge Humberto

Amor e delicadeza em "Na Buton de Roseirinha" de Jorge Humberto

Em "Na Buton de Roseirinha", Jorge Humberto utiliza metáforas florais para expressar o amor e a intimidade de forma sensível e cuidadosa. Ao comparar o gesto de tocar o botão de uma roseira com o ato de plantar algo no peito, o artista sugere que o amor exige atenção, paciência e entrega de ambas as partes. A frase “Sima Éva bo peká” (Como Eva você pecou) traz uma dimensão de desejo e sensualidade, relacionando o amor à ideia de inocência e transgressão, numa referência direta à história bíblica de Eva e o fruto proibido.

A imagem da rosa que se abre “sima lábiu de bo bóka” (como os lábios da sua boca) e que carrega “perfume de bo alma” reforça a ligação entre o físico e o espiritual, mostrando que a intimidade vai além do corpo e alcança a essência do ser amado. Trechos como “deitá na nha lóde skerde pa N ilió-be” (deitar no meu lado esquerdo para me iluminar) e “na manta de nha alma ke bo abrí” (na manta da minha alma que você abriu) criam um ambiente de acolhimento e vulnerabilidade, onde o amor floresce de maneira delicada. O contexto cultural de São Vicente e a influência das mornas e coladeiras, presentes na obra de Jorge Humberto, intensificam o sentimento de saudade, ternura e contemplação, tornando a música uma homenagem à entrega amorosa e à beleza dos pequenos gestos.


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