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Passeio dos prodígios

Jorge Palma

Vamos lá contar as armas
Tu e eu, de braço dado
Nesta estrada meio deserta
Não sabemos quanto tempo as tréguas vão durar

Há vitórias e derrotas
Apontadas em silêncio
No diário imaginário
Onde empilhamos as razões para lutar

Repreendo os meus fantasmas
Ao virar de cada esquina
Por espantarem a inocência
Quantas vezes te odiei com medo de te amar

Vejo o fundo da garrafa
Acendo mais outro cigarro
Tudo serve de cinzeiro
Quando os deuses brincam, é para magoar

Vamos enganar o tempo
Saltar pra o primeiro comboio
Que arrancar da mais próxima estação
Para quê fazer projectos
Quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre
Troquemos as voltas aos deuses

Entre o caos e o conflito
A vontade e a desordem
Não podemos ver ao longe
E corremos sempre o risco de ir longe demais

Somos meros transeuntes
No passeio dos prodígios
Somos só sobreviventes
Com carimbos falsos nas credenciais

Vamos enganar o tempo
Saltar pra o primeiro comboio
Que arrancar da mais próxima estação
Para quê fazer projectos
Quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre
Troquemos as voltas aos deuses

Para quê fazer projectos
Quando sai tudo ao contrário?
Pode ser que, por milagre
Troquemos as voltas aos deuses
Troquemos as voltas aos deuses

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