
Beatriz
Jorge Vercillo
“Beatriz”: fama, máscara e o risco do amor idealizado
A canção transforma a curiosidade por uma atriz em um estudo sobre identidade encenada. O encadeamento de hipóteses em “Será que” instala a dúvida como forma de desejo e aproximação, mantendo Beatriz como enigma. Composta por Chico Buarque e Edu Lobo e interpretada por Jorge Vercillo, a letra contrapõe palco e vida privada: “pintura o rosto da atriz”, “só decora o seu papel” e “é cenário a casa da atriz” sugerem máscara e personagem, enquanto “chora num quarto de hotel” expõe a solidão fora de cena. Imagens como sétimo céu, arranha-céu e paredes de giz evocam um mundo elevado e glamouroso, mas frágil e apagável. No desfecho, “estrela / mentira / comédia / divina” condensam brilho, artifício, humor e aura sagrada, e o risco de “despencar do céu” se mistura ao trabalho e à cobrança da plateia em “os pagantes exigirem bis” e “um arcanjo passar o chapéu”.
A narrativa acompanha alguém que observa Beatriz à distância e pede acesso ao seu universo: “E se eu pudesse entrar na sua vida”. O desejo é pertencer à leveza da arte — “me leva para sempre, Beatriz / me ensina a não andar com os pés no chão” —, já sob o sinal da precariedade: “Para sempre é sempre por um triz”. O medo envolve a queda dela e o próprio encontro: “diz quantos desastres tem na minha mão” e “diz se é perigoso a gente ser feliz”. Amar quem vive entre personagem e pessoa implica aceitar incertezas; por isso, a canção sustenta o fascínio mantendo a identidade de Beatriz sempre em suspensão.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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