
Coração de Papelão
José Cid
Desencanto e ironia em “Coração de Papelão” de José Cid
A imagem "Recortaste a luz da lua e colaste um papelão" desmonta a fantasia romântica: o eu lírico descobre um amor de cenário, barato e frágil. Quando ele diz "Meu bem eu sei / Fingir que chorei", o drama vira ironia — uma defesa para salvar a própria cara depois de perceber o embuste.
A canção expõe promessas vazias: "Escreveste assim: Sou tua / E eu fiquei nessa ilusão", até que o encontro frio na rua — "nem me deste atenção" — cai como um balde de água. O refrão "Coração de papelão" aponta para a superficialidade e a falta de sinceridade, e ainda joga com o sentido de "papelão" como adereço de cena e como "pagar um papelão" ao acreditar. O verso emprestado da cantiga "Se essa rua fosse minha", adaptado aqui para "com o brilho dos teus olhos / Só para o meu amor passar", reforça a idealização meio kitsch, com humor, e combina com a versatilidade de José Cid entre pop e tradição. Não por acaso, a música cresce no palco: ele a levou a shows como o especial de 1989 no Teatro Municipal Garcia de Resende, em Évora, e essa circulação entre linguagens faz parte do caminho que mais tarde renderia a José Cid um Grammy Latino pelo conjunto da obra.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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