
Cantiga do Fogo e da Guerra
José Mário Branco
Crítica social e ironia em “Cantiga do Fogo e da Guerra”
Em “Cantiga do Fogo e da Guerra”, José Mário Branco utiliza uma ironia afiada para expor a hipocrisia das autoridades durante o regime do Estado Novo e as guerras coloniais portuguesas. Logo no início, a imagem dos “embaixadores trazendo no peito água e extintores” mostra que, em vez de combater o incêndio da guerra, as ações oficiais acabam “extinguindo as vidas dos que caem na rede e dão água aos mortos que já não têm sede”. Essa metáfora evidencia como as soluções propostas pelos poderosos são ineficazes ou até cruéis diante do sofrimento real da população.
A letra apresenta cenas de absurdo e insensibilidade, como nos versos “senhores importantes fazem piqueniques, churrascam o frango no ardor dos despiques” e “enxugam os beiços na pele dos queimados”. Essas imagens criticam diretamente a elite política e militar, que se aproveita do sofrimento alheio e transforma a tragédia da guerra em espetáculo. A referência aos “piromagos” que “soltam labaredas pela boca cariada” reforça a ideia de discursos inflamados e vazios, que apenas alimentam o ciclo de violência. No final, a canção sugere que a guerra corrói o “centro” dos homens, denunciando o impacto profundo e destrutivo desse contexto político e social.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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