
Queixa Das Almas Jovens Censuradas
José Mário Branco
A repressão simbólica em “Queixa Das Almas Jovens Censuradas”
Em “Queixa Das Almas Jovens Censuradas”, José Mário Branco expõe, com ironia, como a juventude portuguesa era pressionada a se encaixar nos padrões impostos pelo regime do Estado Novo. O verso “Dão-nos um lírio e um canivete” resume essa contradição: o lírio simboliza a pureza e inocência forçadas, enquanto o canivete representa o controle e a ameaça velada, ambos entregues pelo próprio sistema opressor. Essa dualidade atravessa toda a letra, mostrando que a repressão não se limita à censura direta, mas também atua por meio de manipulação simbólica e psicológica.
A música, composta durante o exílio de José Mário Branco e baseada no poema de Natália Correia, utiliza imagens como “um mapa imaginário”, “um relógio e um calendário onde não vem a nossa idade” e “a honra de manequim” para ilustrar a alienação e o vazio existencial impostos aos jovens. O regime oferecia símbolos de progresso e identidade, mas todos eram superficiais, como “bilhetes para o céu levado à cena num teatro” e “marujos de papelão com carimbo no passaporte”. Esses elementos reforçam a ideia de que a juventude era privada de experiências autênticas e de um papel ativo na própria história, sendo reduzida a figurantes de uma narrativa controlada pelo poder. Ao denunciar a artificialidade dessas concessões e a ausência de liberdade real, a canção se torna um manifesto contra a opressão, alertando para os perigos da censura e da manipulação ideológica.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de José Mário Branco e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: