
Ciranda do aborto
Juçara Marçal
Dor coletiva e denúncia social em “Ciranda do aborto”
Em “Ciranda do aborto”, Juçara Marçal aborda o aborto clandestino de forma direta e impactante, utilizando imagens fortes como “Passa na carne a navalha” e “Se banha de sangue” para expor o sofrimento físico e emocional vivido por muitas mulheres. O termo “ciranda” no título sugere um ciclo coletivo e repetitivo, indicando que essa experiência dolorosa não é isolada, mas compartilhada por diversas mulheres na sociedade. A letra constrói uma narrativa marcada por dor e perda, especialmente ao mencionar “cobrir o amor na mortalha”, que simboliza a morte de um possível vínculo materno e destaca a complexidade emocional do tema.
O contexto do álbum “Encarnado” e a sequência com a faixa “Odoya” aprofundam o significado da música, mostrando a transição entre a invocação de uma figura materna protetora e a vivência de uma maternidade interrompida pela morte. Trechos como “A vida sem endereço / E sem lugar pra ficar” reforçam a ideia de uma existência que não chega a se concretizar. O refrão “Vem despedaçado / Vem, meu bem querer” traz uma ambiguidade dolorosa: há um chamado para a vida, mas também a constatação de que ela chega fragmentada, sem possibilidade de se realizar plenamente. A interpretação intensa de Juçara Marçal, junto ao experimentalismo sonoro, amplia a atmosfera densa e reflexiva, transformando “Ciranda do aborto” em uma denúncia potente sobre a realidade do aborto clandestino e suas consequências para as mulheres.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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