
Devaneios (2007)
Julio Code
Em alta velocidade
O pensamento viaja e me leva
Na entranha uma adaga me passa
E em questão de segundos
A dor já me cega
Quente o sangue escorre
É fria a sensação que me envolve
Devaneio frustrante quimera
Bem-vindo ao fantástico mundo de code
Paisagem obscura poesia concreta
Presságio na força do hábito
Habitável em mim
Sonhos manipulando meu fraco
Na cabeça lembranças
De mais de mil luas passadas
Mil coisas
Embaraçados trajetos
Me trazem dilemas na escolha
Personagens de várias
Ocasiões situações infindas
Abrem alas pra uma razão
Que me motiva
E em cada passo um verso
De um fato um ato lúcido
Ao que me prelúdio
Me pasmo sendo o vulto
Reflete em meu espelho a honra
Sem mérito, com receio
Vou ligeiro, me atiro certeiro
Com alto pretexto
A procura do que me cativa
E que me embriaga
Quase em silêncio na varando
Ouvindo música clássica
Que visita a alma
Tira o transe e me alivia
O arrogante presente
Me cria abandono
E a mente vicia
Em me deixar aos cantos
Presumindo o que me virá
Causando à mente o transtorno
Que nunca sei se findará
Vou pela madrugada
Vagando num corpo de tralha
Busco a transformação
E um copo na risca
É quem me retarda
E me prepara
Pra infindáveis
Incontáveis passos
Para um futuro descente
No grande colapso
E disparando o coração
Respiro ofegante em sufoco
A distância a morte me segue
Me cega o espírito torto
Tolo vou no tipo
Radical romântico e único
Code-san rima psique
Deprimente ao modo lúdico
Lustrando em cada personagem
Um lado relutante
Abrangendo aos seres da imaginação
De eras distantes
Constantemente assimilando momentos
Que são presentes
Cada qual numa visão
Forjando os variados tempos
Alternando em motivos
De credores e desamores
Conturbando adentro
E as falhas produzindo temores
Em agregadas situações
Onde o caos impera
O medo insere na alma
O espírito fera
E o clima é de guerra
Num plano onde casos
Podem ser letais
Que nem faz diferença
Onde não respeitam seus valores
E sim aparência
Almas pro céu
Corpos ao leu sem retorno
Se o gosto amargo é de fel
Meus sentidos pedem socorro
Vou até a reta final
Mesmo num temporal
O segmento é o mesmo
Romântico, tolo e radical
O pensamento longe de alcance
Me fazendo fraco
Honrado eu desembarco
Em meu mundo e se me refaço
Fatos e mais fatos
Rasgando minha mente a fundo
Vagueio em mim, e reluzente
Vejo a luz no fim do túnel
Confuso, me pergunto
Num dilema qual é o caminho?
Opções alheias me distraem
E me roubam o destino
Me, condenando a viver um outro
Desprezado por alguém
Na cegueira de impulso entregue
Também sem revolta me faço refém
Porém a distância de um
E outro segundo se torna uma eternidade
Conturbado na falta de um bom passatempo
Me vejo num voo miragem
Num dia de céu sem Sol
Numa tempestade de ideias malucas
Minha profecia já se completa
Minha força interna se torna ultra
Ao reciclar milhares de sons
E milhares de poesias bélicas
Serei artefato em museu de ética
Com herdeiros pro fóssil que me resta
O herói que habita em mim
Será nada mais nada menos que um mito
Contemplado por poucos, os próximos
Pelo resto no mundo esquecido
Por isso equilibro num livro aberto
E em meu livre arbítrio sou mais um fulano
Vendo cada um de mim, que esvai sem rumo
Em busca de um sonho



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