UM MATE PRA MADRUGAR
Julio Pereira
Há um regalo pra quem desperta na alvorada
A madrugada rompe o canto dos galos
Hora do mate gosto de jujo e vida
Antes da lida e dos relinchos dos cavalos
Um chamamento repontado em telurismo
Com o atavismo que nasce pelos galpões
Querência xucra de ginetes e campeiros
Pequeno mundo, universo de muitos peões
Quantos mistérios afloram nesta ocasião
Gaucha infusão que agranda o
Como uma prece que transcende a madrugada
Numa jornada entre o pampa e o firmamento
Um sentimento que traz sentido pras lutas
Nesta labuta de invernadas
Curando gado que nasceu num fim de campo
Traz acalanto numa coplita assoviada
Rito sagrado que prepara o peão campeiro
Luz do braseiro onde a cambona chia
Do mate bueno onde a bomba sorve a espuma
E o Sol se apruma pra o raiar do novo dia
Bem mais que um gesto reservado ao silêncio
Acalma anseios e faz brinde a existência
De alma de campo, herança dos nativos
Que mantém vivos os costumes da querência



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