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De Uma Outra Mão

Kayke Mello

Letra

    O tempo que tudo muda
    Não teve dó, nem perdão,
    Cegou o velho e a faca
    Sem nem fazer distinção.

    Quem muito carneou na vila
    Capão gordo pra o municio,
    Hoje repousa em silêncio
    Afastado do ofício.

    A faca beijou a pedra
    Ganhando nova visão.
    O velho buscou esperança
    Rezando a sua oração.

    Dias desse, não faz muito
    No rancho do seu Clarindo.
    Desmanchava um mocho pampa
    Com a carneadeira luzindo.

    Sorriso de boca inteira.
    Gostava sim da função.
    Saltava antes dos galos
    Nos dias de carneação.

    Se a faca beijar a pedra,
    Afiada terá valor.
    No entanto não há remédio
    Para o velho carneador.

    A faca seguirá inerte
    A espera de outra mão,
    Que lhe mostre o rumo certo
    Nos dias de carneação.

    Composição: Juliano Santos / Kayke Mello. Essa informação está errada? Nos avise.

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