
Em Noventa e Dois
Kid Abelha
Amor e pressa em “Em Noventa e Dois”, do Kid Abelha
“Em Noventa e Dois” contrapõe o termo tecnológico “on” (ligado) ao afeto numa era de telefone fixo, telegrama e bilhetinho. Esse choque entre modernidade e pouca presença sustenta a canção: o amor existe, mas falta tempo e a comunicação é fragmentada. “Um dia inteiro é muito para a gente ficar junto” marca o ritmo urbano e apressado do início dos anos 90, quando mensagens precisavam caber em ligações curtas, recados e “num telegrama, uma poesia” — a síntese vira a linguagem do sentimento. O refrão que deseja “boa sorte” soa como despedida educada de quem sabe que a rotina não abre espaço, enquanto o inglês do final — “Sometimes I feel so bad” (Às vezes eu me sinto tão mal) — universaliza a ressaca emocional que o português tenta conter.
As imagens de bar e corpo — “Garçom...” e “Bebi da sua saliva no fim do copo de conhaque” — misturam desejo e ausência: pode ser só o rastro do outro no copo, pode ser o excesso da noite tentando anestesiar a falta. “Minha cabeça parece um guindaste” traduz tontura e o esforço de erguer lembranças, enquanto “Estou esquecendo o seu rosto” admite que a saudade dói e apaga. O clima íntimo e melancólico combina com a virada do Kid Abelha no álbum Iê Iê Iê para arranjos mais simples e acústicos, que fazem os versos curtos soarem como recados na secretária eletrônica. Não por acaso, a faixa virou trilha de O Mapa da Mina (1993), onde esse romantismo urbano e contido — amor, pressa e distância — fazia sentido na TV da época.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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