
No rancho fundo
Lamartine Babo
Saudade e paisagem em “No rancho fundo”, de Lamartine Babo
Escrita em 1931, a letra de Lamartine Babo para a melodia de Ary Barroso substituiu “Na Grota Funda”, de J. Carlos, por um cenário de rancho isolado e luto afetivo. A voz narrativa observa o “moreno” de fora, como quem o enxerga no terreiro, e a dor dele vai escurecendo tudo ao redor. A cidade aparece apenas como lembrança vaga, quando “a dor e a saudade contam coisas da cidade”, reforçando o contraste entre o interior e o mundo urbano.
No rancho “bem pra lá do fim do mundo”, o personagem, abatido por desilusão amorosa, espera a noite, fuma para ter companhia, pega a viola e recebe “a lua por esmola”. A paisagem ganha traços humanos — árvores que “não contam segredos”, passarinhos “internados” — e se torna espelho da saudade. O detalhe da “última palmeira” morta marca a ideia de fim. Já o verso “era grande, hoje é pequeno para uma casa de sapê” sugere perda de brio e encolhimento de vida, afetivo e material. Quando as trevas tomam a natureza “só por causa do moreno”, a canção amarra sua metáfora central: o mundo murcha porque o coração dele murchou.
Essa imagem do interior melancólico atravessou décadas. Gravada primeiro por Elisa Coelho, a canção ganhou nova vida com Chitãozinho & Xororó em 1989, ao entrar em Tieta e aproximar o samba‑canção do sertanejo moderno. Em 2024, “No rancho fundo” batizou outra novela, sinal de como esse retrato de saudade e distância entre campo e cidade segue vivo na cultura brasileira.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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