
Fulgor
Leandro Valle
Nasci na maré quebrada, vento contra, sal na pele
Chão rachado, céu pesado, mas o sonho não repele
Carreguei meu próprio nome como lâmina no escuro
Cada queda foi um rito, cada dor virou futuro
Olho vivo, coração em combustão
Entre ruínas fiz refrão
Ninguém viu, ninguém ouviu
Mas eu dancei com o vazio
E quando o mundo me negou calor
Eu fiz do frio o meu motor
No silêncio eu virei voz
E o improvável virou nós
Fulgor, eu acendo sem pedir perdão
Brilho torto, chama na contramão
Se é pra amar, que seja até o fim da dor
Eu sou feito de ausência e de fulgor
Fulgor, pele quente, alma em expansão
Te desejo em outra dimensão
Entre o caos e o que restou de amor
Eu me refaço em puro fulgor
Corpos passam, poucos ficam, quase tudo é superfície
Já provei do abandono com gosto de cicatriz
Mas no toque certo eu vi eternidade em segundos
Como em te desea, mergulhei sem ver o fundo
E os covardes sempre vão falar
Mas não sabem sustentar
O que é fogo de verdade
Queima ego, cria identidade
Fui rejeito, fui silêncio, fui ninguém
Hoje eu sou meu próprio além
Se tentaram me apagar
Eu aprendi a incendiar
Fulgor, eu acendo sem pedir perdão
Brilho torto, chama na contramão
Se é pra amar, que seja até o fim da dor
Eu sou feito de ausência e de fulgor
Fulgor, pele quente, alma em expansão
Te desejo em outra dimensão
Entre o caos e o que restou de amor
Eu me refaço em puro fulgor
Toque lento, beijo em brasa
Teu olhar me atravessa e me casa
Com quem eu lutei pra ser
Com quem eu ainda vou viver
Não tem volta, não tem medo
Meu passado não é segredo
É combustível pro agora
Eu sou chama que devora
De onde eu vim ninguém volta igual
Mas eu voltei transcendental
Com cicatriz virando arte
E o universo na minha parte
Fulgor, agora vê, não dá pra conter
O que eu virei depois de sofrer
Se me quiser, vem inteiro, sem pudor
Que eu te consumo em puro fulgor
Fulgor, eu sou luz no meio da pressão
Sexo, alma e revelação
Se a vida tentou me impor o fim
Eu fiz do fim o começo em mim
Brilho baixo, noite acesa
Meu nome ecoa na incerteza
Quem duvidou ficou pra trás
Eu sou o fogo que não se desfaz
Fulgor



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