
Agenda
Leci Brandão
Desejo clandestino e urgência afetiva em “Agenda” (2013)
“Agenda” transforma um gesto banal — marcar horário — em senha para um caso clandestino. O verso “Sem ela ver” confirma que é um encontro paralelo, atravessado por desejo, culpa e risco. O próprio título tem duplo sentido: é o ato de agendar e, ao mesmo tempo, o pedido por prioridade na vida do outro.
Na voz de quem implora por espaço, a fala acumula pedidos como fome afetiva: “Marque um dia / me liga, me instiga, me convida”. A confissão “Já estive bem triste, mas não tão triste assim” revela um limite emocional, enquanto “a gana de deitar na sua cama” explicita a urgência do corpo. O verso “dou um jeitinho” aciona o imaginário do jeitinho brasileiro — pequenos arranjos para contornar barreiras — aplicado aqui à logística do segredo. Já “Acabar de vez com o drama” tanto aponta para matar a saudade quanto para aliviar a tensão de viver escondido; e “quem ama não sabe suportar” tenta justificar o impulso, confundindo amor com um desejo que não cabe mais no silêncio.
Composta por Beto Guilherme e lançada em 2013 na voz de Leci Brandão, a canção aposta em tom coloquial e repetitivo — pedidos, promessas, estratégias — como uma conversa sussurrada ao telefone. Fiel à trajetória de Leci em dar rosto a amores fora do padrão, a gravação não moraliza: expõe a negociação íntima de tempo, prioridade e pele num romance proibido, em que cada encontro é operação discreta e cada espera, quase insuportável.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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